Jovens. E a possibilidade dos Comuns.
As últimas e as próximas de... Marco de Abreu (Novembro.2025)
(imagem de reform-support.ec.europa.eu)
Nota: Este artigo funciona como a parte II do artigo Jovens. Tendências ? Filmes e Séries de Outubro de 2025. Após a sua escrita chegaram novas informações que permitem ter uma vista mais global sobre os Jovens no contexto da cultura moderna e possibilidades para uma co-criação cultural.
1. Jovens sinalizam o colapso
Vivemos um tempo entre mundos. O velho já não oferece sentido, o novo ainda não ganhou forma.
Nos jovens, essa transição torna-se visível — e dolorosamente honesta.
O que se passa dentro de cada um, o que explode nas ruas e o que se desfaz nas instituições são, afinal, três expressões do mesmo processo: o colapso de uma forma de viver e de compreender a realidade.
Há um fio invisível que liga a ansiedade silenciosa de um jovem ao ruído das praças em protesto, e ao desmoronar das estruturas que sustentavam as nossas certezas.
Esse fio é a própria condição humana em mutação.
O colapso tem três rostos: o interior, o exterior e o estrutural — e, quando os olhamos juntos, percebemos que não se trata apenas de uma crise de juventude, mas de uma crise civilizacional. E os jovens estão particularmente expostos.
Três espelhos, um mesmo mundo: o da humanidade a atravessar o seu próprio limite, talvez para descobrir, do outro lado, uma forma mais verdadeira de estar viva.
2. Interior — o silêncio que pesa
No artigo Jovens. Tendências ? Filmes e Séries dou conta de escolhas profundas que o jovens estão a fazer: a escolha consciente de não ser pai ou mãe, a escolha de se suicidar, a eco-ansiedade, o medo de viver sem tecnologia, a desconexão de sentido e pertença.
São sintomas de um mundo interior em desintegração — não apenas individual, mas cultural. Jovens que não encontram esperança dentro de si. E, no silêncio interior de tantos jovens, sentimos o mesmo eco — uma dor profunda. Muitos não acreditam que o mundo adulto lhes ofereça um lugar verdadeiro.
3. Exterior — o grito que ecoa
O artigo de James Corbett, A World on Fire (2025), descreve esta mesma dor, mas agora expressa nas ruas.
De Jacarta a Marselha, de Nairobi a Belgrado, jovens protestam contra a corrupção, a precariedade e a ausência de futuro.
As redes sociais transformam-se em assembleias improvisadas; as bandeiras de One Piece tornam-se símbolos de resistência lúdica.
Mesmo em Portugal, o eco faz-se ouvir como os protestos pelo direito a habitação ou exigência de melhores salários e o fim da precariedade.
O exterior é o reflexo do interior: a angústia transformada em movimento, o desespero em voz. Jovens que olham para o futuro e veem colapso, desigualdade, caos climático e manipulação digital e política.
4. Estrutural — o colapso que já começou
Em Breaking Together, Jem Bendell propõe uma leitura radical: a nossa civilização industrial moderna está a quebrar. É o pano de fundo, e os jovens estão a ecoar esta quebra. Não apenas em crises pontuais, mas de forma sistémica — ecológica, económica, social e espiritual. Não temos estruturas para irmos juntos, para acolher a dor e a criatividade dos jovens.
Ele chama-nos a reconhecer que não se trata de evitar o colapso, mas de atravessá-lo juntos — quebrando as ilusões de progresso linear e controlo, e abrindo espaço para culturas pós-industriais baseadas em reconexão, cuidado e simplicidade voluntária.
Na perspetiva de Bendell, os jovens não são apenas vítimas do colapso — são os portadores do novo.
A sua recusa de reproduzir, de seguir carreiras sem alma, de confiar em instituições corroídas, pode ser vista não como desistência, mas como acto de lucidez evolutiva.
Estão a dizer: “não queremos continuar este jogo”.
E talvez seja precisamente isso o que é preciso quebrar — para recomeçar juntos.
5. Entre o interior, o exterior e o estrutural
Estas três dimensões cruzam-se como espelhos:
O interior mostra o sofrimento e a busca de sentido.
O exterior mostra o protesto e a acção.
O estrutural mostra o contexto de colapso civilizacional.
O que se pede agora é consciência.
Não para salvar o velho, mas para criar o novo.
Precisamos de esperança, de iniciações a idade adulta que permitam aos jovens lidar com a dor interna, encontrar o seu propósito e co-criar as condições externas de uma transformação cultural. Precisamos de espaços de cura. E de espaços de imaginação, co-criação, desenhados para falhar, para a aprendizagem.
Esta é uma geração entre mundos. E é neste limiar, neste gap, que se abre a possibilidade dos Comuns. E a capacidade de imaginar é determinante como o livro E SE… de Rob Hopkings ilustra.
6. Perigos — quando a crise se torna ferramenta
Enquanto interior, exterior e estrutural se cruzam, existe um risco real: a manipulação da ansiedade e da raiva dos jovens.
James Corbett, no artigo supracitado, alerta que muitos movimentos de protesto globais podem ser intencionalmente orquestrados ou direcionados por interesses ocultos, usando crises sociais, económicas e climáticas como ferramenta para agendas políticas ou económicas.
O que se apresenta como espontâneo, como energia legítima de indignação, pode ser instrumentalizado — símbolos, redes sociais, hashtags e mesmo manifestações podem tornar-se parte de uma simulação de colapso, um cenário cuidadosamente desenhado para moldar comportamentos ou reforçar sistemas de controlo.
Reconhecer esse perigo não é deslegitimar a dor ou a raiva dos jovens. Pelo contrário: é um chamado à consciência crítica, à vigilância sobre quem estrutura o espaço do protesto, e à criação de contextos de ação genuínos.
Os jovens não são apenas actores passivos — mas sem orientação (quando não iniciados), podem ser usados para reproduzir padrões que acreditavam estar a combater.
Este perigo é explorado no universo da Guerra das Estrelas com a série Andor.
7. Jovens. A possibilidade dos Comuns*
O Tomo III de “A Emergência das Sociedades de Comuns” fala dessa passagem: da destruição à regeneração, do isolamento à co-criação.
Propõe Espaços de Comuns — lugares de aprendizagem viva onde jovens e adultos possam curar, e transformar os sentimentos de raiva, tristeza e medo em energia criadora.
Nestes espaços, aprende-se a cooperar, a cuidar, a construir significado e a regenerar o território — interior e exterior. A exemplo de como aconteceu nos anos 2010 em Lisboa com a João Sem Medo.
A esperança aqui não é romântica: é pragmática.
É a esperança de quem decide pegar nas cinzas e começar de novo.
De transformar o “não quero viver neste mundo” em “vamos criar outro”.
Talvez seja isso que esta geração está a pedir — não mais promessas, mas contextos reais para agir.
Os Espaços de Comuns são esse campo: onde a raiva se torna clareza, a dor se transforma em compromisso, e o futuro volta a ser algo que se constrói juntos.
É o caminho que vemos nos visionários filmes de animação Como Treinar o Teu Dragão (2010) e Os Croods (2013).
(*) Comuns no contexto deste artigo somos todos nós, que num determinado Lugar, cuidamos dos Bens Comuns (e.g. água, ar, saúde e bem-estar).
8. Questão final
O que significa “crescer” — como pessoa, como cultura — quando o mundo conhecido está a quebrar e partes desse colapso podem estar sendo manipuladas ou simuladas por interesses ocultos?
Talvez o verdadeiro amadurecimento agora seja aprender a ‘quebrar juntos’ com consciência, preservando o amor, a curiosidade e a capacidade de imaginar novas possibilidades, sem nos tornarmos instrumentos de agendas que não nos pertencem - aprender a Ser Autoridade: ‘ponto de origem’ da autoridade em si próprio, como adulto iniciado - como defende o Possibility Management.
Os jovens sinalizam o colapso e ao mesmo tempo anunciam a possibilidade dos comuns.
Livros da Bambual Portugal
NATIVA | HEATH SESSION 12, 13 e 14 de DEZ, 2025
Com ALICE BRANDÃO e MAURÌLIO BRANDÃO, Clínica VEDA, S. Paulo, Brazil
Workshop no sábado com YOGA e TERAPIA HORMONAL com Alice Brandão
Conversa com Maurílio Brandão sobre a CARREIRA de Profissional de Saúde
Workshop no domingo sobre NOVA MEDICINA GERMÂNICA com Maurílio Brandão
E muito mais….
ALICE BRANDÃO
Convencional: Nutricionista
Complementar: Vegan/ Vegetariano, Yoga
MAURÌLIO BRANDÃO
Convencional: Médico de família
Complementar: Homeopata, Acupunturista, Nova Medicina Germânica
Para mais informações ver o link.
AGENDA (2025)
Novembro
CBES Carcavelos::DIA ABERTO Saúde e Bem-Estar Carcavelos, 1.Nov no In-Movment com a Rede de Consteladores
Grupo de Estudo do Livro (semanal as 3as feiras das 18h às 19h)
Bambual Portugal apresenta Programa online de INTRODUÇÃO às Sociedades Regenerativas: 3, 4, 5, 10, 11, 12 de Novembro
CBES Carcavelos::DIA ABERTO Saúde e Bem-Estar Carcavelos, 15.Nov
(NOVO) Bambual Portugal apresenta Programa online AVANÇADO às Sociedades Regenerativas: 19, 20, 21 e 22 de Novembro
CBES Carcavelos::DIA ABERTO Saúde e Bem-Estar Carcavelos, 29.Nov no In-Movement
Dezembro
Grupo de Estudo do Livro (semanal as 3as feiras das 18h às 19h)
(NOVO) Bambual Portugal apresenta Programa online de INTODUÇÂO ÀS SOCIEDADES DE COMUNS: 2 a 11 de Dezembro
CBES Carcavelos::DIA ABERTO Saúde e Bem-Estar Carcavelos, 13.Dez
CBES Carcavelos::DIA ABERTO Saúde e Bem-Estar Carcavelos, 27.Dez
Janeiro
Grupo de Estudo do Livro (semanal as 3as feiras das 18h às 19h)
CBES Carcavelos::DIA ABERTO Saúde e Bem-Estar Carcavelos, 10.Jan
NATIVA HEALTH SESSIONS: 23 e 24 de Jan acolhe CBES Carcavelos::DIA ABERTO Saúde e Bem-Estar Carcavelos, 24.Jan (DIA ABERTO na NATIVA)
(os últimos) E SE…
E SE... as universidades portuguesas tivessem centros para as sociedades regenerativas ?
Outros “E SE…” podem ser vistos no link.
“E SE…” é um espaço no canal, onde crio possibilidades de experimentação (portais) para pessoas, famílias, equipas, organizações, comunidades poderem entrarem nas Sociedades Regenerativas e experimentarem modelos diferentes de colaboração, organização, financiamento, educação, bem-estar, …
É um espaço inspirado pelo livro E SE… do Rob Hopkins, co-fundador do Movimento Transição, que a Bambual Portugal publica em Português.





