MOVIMENTO Manifesto
Anexo I.D do livro "A Emergência das Sociedades de Comuns"
Janeiro de 2011
As pessoas estão em movimento. O Planeta está em movimento. A Vida é movimento.
Para todo o lado que ‘olhamos’ - um olhar com todos os sentidos - vemos, melhor dizendo, sentimos que ‘algo tem de ser feito’. Há uma sensação no ar que ‘não estamos bem’, que vamos ter que ‘fazer qualquer coisa’, que a ‘coisa mudou’. Pela ‘coisa’ podemos estar a falar da nossa empresa (cada um que escolha a sua), comunidade (e.g. aldeia, cidade), país (e.g. Portugal), espaço económico (e.g. Comunidade Europeia), planeta (e.g. Terra). Os sintomas são mais que muitos, parece que não há dinheiro que chegue, recursos naturais que cheguem, há crises do clima, financeiras, agrícolas, florestais, políticas, há catástrofes naturais, ...
Uns pressagiam revoluções, outros anseiam por um salvador, muitos baixam a cabeça, muitos arregaçam as mangas e ‘fazem algo’, muitos olham à volta e procuram pistas, sinais, procuram descodificar o que se passa de mil e uma maneiras (e.g. mudam de emprego, procuram sentido, mudam de vida, emigram, ajudam os outros).
Ao mesmo tempo sentimos que, o que sabemos já não é suficiente, já não resolve os problemas, não explica as ‘coisas’, mas não sabemos fazer de outra maneira, aparentemente não temos soluções novas, não temos explicações novas. Temos dificuldade em racionalizar a ‘coisa’, não conseguimos medir, quando mais separamos, supostamente para entender, menos entendemos e o que sempre foi linear, determinístico, que funcionava como uma máquina, dizem os mais velhos, deixou de funcionar, parece ‘coisa do diabo’, seja ‘o diabo’ os políticos da altura, os gestores do momento, a religião do outro, o sistema político do outro, o do outro lado aposto ao meu - o mal está sempre fora de mim, no outro, como não pode deixar de ser quando nós não nos entendemos, estamos confusos, não sabemos o que fazer e, claro está não podemos ser a causa de...
Mas algo não está bem! Sentimos isso! Sentimos que temos que mudar! Sentimos que está a mudar! Como se explica esta coisa de sentirmos que não está bem e não sabermos o que não está bem? Como se pode fazer de outra maneira? Voto em quem?
O nosso sentir é químico, atómico, vem do ambiente com o qual estamos em permanente interacção, numa dança eterna. O nosso entender emerge da vida, da consciência que o nosso cérebro faz surgir. Desta consciência resulta o acto de conhecer - o que sabe um homem de si? Entendemos o mundo com as representações (modelos) que o nosso cérebro faz a partir do que sentimos, este sentir com todos os sentidos. O nosso entendimento é limitado por nós próprios e o conhecimento subjectivo. Acresce que comunicamos com linguagem (mais modelos).
E que modelos são esses? São modelos incutidos por educação, por cultura, por instrução, por socialização, … modelos que nos fazem acreditar numa forma de organizar as sociedades, a todos os níveis, onde uns fazem e outros pensam, organizam... os que fazem não se preocupam, pois os que pensam vão pensar numa solução; modelos que nos fazem acreditar que tudo pode ser entendido pelas partes que constituem o todo, que se funciona aqui então podemos extrapolar que vai funcionar acolá; modelos que nos dizem que os seres humanos podem ser classificados em torno de propriedades suas como raça, idade, sexo, local de nascimento, posses económicas, …
Os modelos são excelentes, mas são modelos. Têm as suas fronteiras, os seus domínios de aplicação. Precisamos ter a consciência da natureza do modelo. Podemos saber muitos ou apenas 1, é irrelevante, desde que saibamos sempre que há um limite para cada um desses modelos e que pode haver outros modelos alternativos (podemos só saber uma língua, o que não nos deve levar a concluir que quem fala uma língua diferente da nossa não comunica).
Estamos confusos, pois a análise que estamos a fazer com os modelos que temos não esta a explicar o que vemos. Estamos confusos pois os modelos que temos estão a conduzir-nos para acções que, em vez de melhorar, a maior parte das vezes piora, muitas vezes, melhorando no curto-prazo, primeiro.
Precisamos de novos modelos! Vamos ter que esperar que eles possam ser criados? E quem os vai criar?
Nós. Todos os que decidirem agir. Todos os que já decidiram agir. Todos os que tem noção das limitações dos modelos. Todos os que já sabem, mesmo que não saibam explicar, que é na nossa capacidade de aprender que reside a solução. A nossa capacidade de aprender é nativa, está embebida em nós e impele-nos para a interacção com o ambiente. O movimento já esta em curso.
Movimento !? Que movimento?
O movimento que entende o Homem por inteiro e não faz qualquer tipo de segregação em virtude de atributos, propriedades, sejam elas de que natureza forem (e.g. biológica, cultural, económica). Cada Homem tem uma história única que lhe confere um valor cognitivo único. Uma capacidade única de ver o mundo, de o entender. Há pouco mais de cem anos, as ciências humanas viam os homens como sendo civilizados ou não civilizados e uns ‘mereciam’ mais do que os outros, eram superiores, nas variáveis interessantes de análise. Ver o Homem por inteiro acarreta desde logo duas consequências: todos os Homens são capazes de ‘computar’ (no sentido lato, no sentido orgânico, como faz um formigueiro ou um cérebro humano) informação que a consigam entender; todos os Homens são capazes de aprender novas maneiras de entender a informação. Este Homem tem vontade e livre arbítrio.
Cada Homem tem uma ‘computação’ única, resultante da sua história única, da forma como sentiu o mundo desde a sua concepção e da interacção que está a desenvolver com o seu ambiente.
Cada Homem apreende o mundo a um ritmo diferente, de acordo com a sua estrutura biológica e com a sua experiência acumulada de interacção com ambiente (desde química, biológica até à social e espiritual).
Cada Homem tem a capacidade de tomar as suas decisões, em função da informação disponível e da ‘computação’ que faz em cada momento. Vê o erro não como um fim, mas como um meio, um indicador da sua aprendizagem.
O potencial de cada Homem só estará assegurado se estiverem asseguradas direitos fundamentais que tornem a sua escolha livre (e.g. direito à vida, livre expressão).
Não somos todos iguais. Somos todos diferentes! Sabemos fazer coisas diferentes. Gostamos de coisas diferentes. Somos formados por átomos diferentes. Temos histórias diferentes. Temos memórias diferentes. Somos únicos.
O movimento que entende que a mudança pode ser desenhada e que não adia soluções em virtude do nível de informação disponível em cada Homem. Se cada Homem é capaz de ‘computar’ informação, a pergunta é, como posso fazer chegar a informação a cada Homem para ele o computar? Se ele só fala em Português tenho que a traduzir, se ele não tem computador, tenho que ter um mediador, se não sabe ler tenho que lhe ler, … Se cada Homem é capaz de aprender novas maneiras de entender a informação, a pergunta, é como posso despertar essa aprendizagem? A resposta é desenhando. Não aceitando impossibilidades. Não excluindo. Incluindo, considerando todos e desenhando para todos, um a um. Desenhando com todos. Vendo a falha e o erro como informação que me permite fazer uma nova versão melhorada.
Para se realizar uma «acção» que necessita de um grupo de Homens para se atingir, é necessário que o grupo queira fazer essa «acção».
O melhor sítio para controlar uma «acção» é no ‘local’ onde a «acção» acontece.
Quando mais informação, sobre aspectos que afectam os resultados de uma «acção», for facultada aos Homens que executam a «acção», melhores decisões irão tomar para garantir o sucesso da «acção».
Quando o Homem é envolvido na decisão de como fazer uma «acção», mais comprometido estará com o conseguir fazer a «acção».
Não temos que esperar uma geração para mudar. A mudança é presente com todos os Homens, únicos, que temos, respeitando o tempo que cada um leva para mudar, i.e., aprender a ver a informação de outra maneira e disponibilizando a informação necessária para a computação. Só eu posso mudar a mim próprio. Desenho o contexto em que a mudança - aprendizagem - se faz.
Resumo os dois Princípios do Movimento:
Homem por inteiro
Mudança ‘by design’
Com estes príncipios, onde outros vêm um fim, nós vemos um contínuo. Onde outros vêm uma impossibilidade, nós vemos novas possibilidades. Onde outros vêm problemas, nós vemos novas soluções.
Que entusiasmo! Cada Homem é um átomo capaz de formar um Universo e a sua multiplicidade. Cada Homem é uma bactéria capaz de gerar a Vida e a sua multiplicidade. Cada Homem é um neurónio capaz de gerar consciência e a sua riqueza.
A força do indivíduo. Do UM. Micro.
São precisos muitos UMs para que as comunidades se organizem. Como se regem essas interacções que geram semelhante diversidade e complexidade?
O movimento rege-se por um conjunto de valores capazes de gerar novos «padrões de acção», novos resultados. Estes valores não eliminam antigos valores, antes permitem novas combinações que nos ajudam a ter um melhor discernimento sobre o que nos rodeia e a explorar novas alternativas.
Os valores que vêm dominando a «acção», ao longo de séculos, procuram dominar o outro, submeter à vontade de uma maioria, de uma minoria, de uma classe, de uma etnia, de uma religião, … procuram quantidades, tudo se mede e só o que se mede se gere, o que se conhece e é explícito, compete-se por recursos, por ganhar, por ser melhor do que o outro, estar a frente do outro, num movimento expansionista de recursos infinitos. Daqui resultam determinadas formas de vermos os Homens e a sua «acção», bem como da forma como esta «acção» se organiza. O Homem é visto em torno dos atributos de poder e as organizações são desenhadas para gerir o poder. As hierarquias são as formas organizacionais que estão presentes nestes «padrões de acção». A máquina!
Estes valores são valores importantes que nos trouxeram até ao momento presente e que conseguiram gerar prosperidade para o maior número de Homens até ao momento. Mas todos sentimos que, tendo sido bons, não nos estão a ajudar a entender o presente e a desenhar para o futuro. Precisamos de combinar estes valores com outras perspectivas. Não eliminar valores, antes combinar, balancear com outros valores que possam gerar novos entendimentos, novas soluções.
Precisamos de interacções que considerem finitos os recursos e que possam ser mais orientadas à sua conservação, balanceando as perspectivas expansionistas que temos seguido. Significa que temos que abandonar o conhecimento que geramos? Não. Significa antes que em vez de fazermos sempre novo papel, podemos criar novas perspectivas de reutilizar papel, combinando assim duas perspectivas em movimentos de contínuo ajuste.
Precisamos de interacções que sejam mais orientadas à cooperação e que reconheçam que há outras formas de ganhar. O equilíbrio da competição com a cooperação permitirá novas formas de interação que potenciem o conhecimento Humano. Que cada Homem seja excelente, o melhor que conhecemos. Não queiramos a mediocridade nivelada! Antes a excelência de cada indivíduo. Mas que haja nova cooperação que permita novos empreendimentos Humanos (as ‘wikipedias’ do futuro).
Precisamos de interações que envolvam o que se conhece, o que se mede, com o que não se conhece, com o que se pressente, com que apenas se qualifica. Onde o tácito se mistura com o explícito, o formal com o informal, gerando novo entendimento. Como posso medir o amor e o ódio?
Precisamos de interacções que mudem o enfoque do poder; que passem da dominação para a parceria, para a colaboração consentida e desejada. Procuremos o que motiva cada Homem e os faz querer estar juntos, querer empreender juntos nas novas fronteiras da Humanidade. São as redes, as formas de organização que emergem destes novos valores. A ecologia (vida, orgânica)!
O movimento utiliza formas de pensamento capazes de mostrar outras vias, analisar outras alternativas, considerar outras perspectivas. As estruturas sociais fomentam determinadas formas de pensar. A uniformização destas formas de pensamento acarreta uma limitação generalizada e paralisante, quando somos sujeitos a desafios para os quais não estávamos preparados para responder. Nos últimos séculos desenvolvemos formas de pensar que permitiram levar a Humanidade a ter o maior nível de progresso material, social, intelectual e espiritual. Mas os tempos actuais, convocam-nos para desafios de uma dimensão e escala que não conhecíamos.
A forma de pensar que está generalizada, foca-se no racional, na análise, em reduzir e em linearizar. A máquina que processa informação!
Precisamos de interacções capazes de lidar com a razão e com os mecanismos da razão (como a lógica) mas que sejam balanceados com o intuitivo, com os sentimentos, o que se sente e não se explica, a emoção.
Precisamos de interacções capazes de fazer análise, da caracterização analítica mas que sejam balanceadas com a síntese. Uma síntese que considere perspectivas diferentes, como a científica (verdadeiro), filosófica (bom), artística (belo) ou espiritual (uno).
Precisamos de interacções capazes de reduzir e analisar as partes, compreender os constituintes mas, que compreendam a suas limitações, que compreendam que das partes emerge um todo, que só pode ser apreendido com perspectivas integradoras, holísticas.
Precisamos de interações capazes de linearizar (número reduzido de variáveis), de simplificar de criar modelos utilizáveis em contextos bem precisos, mas que compreendam que o número de variáveis é infinito e que há mais um modelo à espreita, uma nova perspectiva, uma nova forma de combinar o conhecimento produzindo novas interpretações e consequências.
Precisamos de interacções que ao gerarem novas combinações de formas de pensar, gerem modelos com outras características que permitam novas interpretações e novos «padrões de acção». Que combinem o conhecimento Humano de forma diferente e que ao fazê-lo, gerem novo conhecimento. A ecologia que ‘computa’ informação.
Resumo as duas Forças do Movimento:
Valores:
Expansão balanceado a com Conservação
Competição balanceado a com Cooperação
Quantitativo balanceado a com Qualitativo
Dominação balanceado a com Parceria
Forma de pensar:
Racional balanceado com Intuitivo
Análise balanceado com Sintese
Reducionismo balanceado com Holístico
Linear balanceado com Não linear
Com estes princípios e forças, queremos criar novos modelos com que podemos fazer sentido do mundo à nossa volta e reflectir sobre novas interpretações, novas soluções e novas propostas para organizar as sociedades. Vemos o movimento como integrando! Integrando pessoas, perspectivas, modelos e conhecimento. Integrando hierarquias e redes. Intenção e emergência. Vamos dizer que partilhamos uma epistemologia comum, a da complexidade (ciências da complexidade).
Que entusiasmo! Cada Homem está inserido num TODO que o potencia, que amplifica a sua história de interacções, i.e., o que sabe fazer, que a combina com o que o Outro sabe fazer e pode combinar com tudo o resto. O UM gera o TODO em movimentos perpétuos de amplificação e significado.
Força do colectivo. TODO. Macro.
Que indivíduos são esses com semelhantes poderes? Como os encontramos?
O movimento é formado por pessoas de hoje, com toda a sua história de interacções químicas, biológicas, sociais, culturais, … que segundo alguns modelos podem ser boas ou más (ou qualquer outra coisa pelo meio), cientistas, artistas, técnicos, gestores, …, competentes ou incompetentes, participativos ou não participativos, licenciados ou não, novos, velhos, com religião ou sem ela, de uma raça ou de outra, de um género ou de outro, … Por outras palavras de Homens, como cada um de nós, vivos e com liberdade de escolha.
Estes indivíduos, livres, que partilham esta perplexidade comum pelo Universo e o vêem como complexo e bonito. São indivíduos que têm interesses e os manifestam de forma clara, procurando equilibrar a sua acção nos seguintes vectores:
Precisam ganhar dinheiro para assegurar uma boa vida (económico)
Gostam de aprender e encarar a aprendizagem como a sua natureza (aprendizagem)
Gostam do que fazem e querem fazer o que gostam (motivação)
Sentem-se parte de um todo e querem contribuir para o todo, para o outro (cidadania)
Eu! O Movimento!
Este movimento é um movimento de aprendizagem, num sentido profundo. Uma aprendizagem que evoluiu ao longo de milhões de anos, gerou toda a vida e a complexidade do nosso Universo. Uma aprendizagem que ganhou na consciência humana uma dimensão nova - o que sabe um Homem de si? - e que está a construir uma consciência do TODO - o que sabe a Humanidade de si?
Uma aprendizagem que é como uma boneca russa, por dentro, tem outra aprendizagem, infinitamente pequena. É passível de fazer parte de uma boneca maior. É esse maior que estamos a construir, cada vez de forma mais consciente.
Nós! o Movimento!
Este movimento utiliza três blocos constituintes que manipula a seu gosto para induzir compreensão e acção.
Um elemento que permite fazer uso do poder de cada Homem e que designamos a computação cognitiva humana. A “inteligência colectiva”. O “cognitive surplus”. Esse exercício sublime de cada Homem, que com a sua história única, capta informação com todo o seu ser e ‘computa’ de forma única, sendo capaz de articular o resultado em linguagem, logo comunicar.
Um elemento de mediação, que une (potencialmente) todos os Homens. Uma mediação tecnológica (e.g. internet). O fazer chegar da informação, levar a informação em contexto, embebendo no seu contexto a organização. Esta mediação potencia a computação cognitiva humana e permite movimentos de amplificação de conhecimento, energia e aceleração da mudança - aprendizagem.
Um elemento de regulação ética. Uma ética do Homem por inteiro. Uma ética dos direitos do Homem. Uma ética de um Planeta por inteiro. Uma ética dos direitos do Planeta.
Movimento, movimento, …Vamos lá saber: Para quê?
Para intervir! Para acção! Para federar Homens que sintam que têm de agir. Homens que sozinhos estão apagadas, mas que se iluminam na presença de outros Homens.
O movimento quer intervir. Intervir, unindo, integrando saberes e pessoas.
Quer ter uma intervenção cívica que permita anunciar a ‘boa nova’ e garantir o acesso de TODOS. Ciclo imparável de Partilhar conhecimento - Recolher conhecimento. Garantia das condições de acesso ao conhecimento.
Quer ter uma intervenção económica, que explore novos modelos e permita criar entidades económicas viáveis e transformadoras, potenciadoras de uma nova ética de valor.
Quer ter uma intervenção artística que explore estes novos mundos e nos ajude a todos sentir o que não conseguimos entender.
Quer ter uma intervenção científica que permita usar os métodos científicos para explorar estes modelos e gerar conhecimento.
Quer ter uma intervenção filosófica que desafie as fronteiras desta epistemologia e especule sobre as fronteiras da ciência, arte e outras formas de intervenção.
Quer ter uma intervenção espiritual que continue a elevar o espírito Humano.
Quer ter uma intervenção multidisciplinar que cruze espaços, áreas de saber, outras áreas de intervenção, que procure alargar as fronteiras de conhecimento do homem.
(Um ano de Movimento Manifesto por Marco de Abreu em Jan.2012 - a partir do minuto 23:11)


