Introdução
Introdução do livro "A Emergência das Sociedades de Comuns"
A Emergência das Sociedades de Comuns (em Portugal)
A minha jornada e a chamada para a inovação social transformativa, em paz, na direcção da colaboração criativa de comuns
Como fomos capazes de criar uma sociedade, de forma colectiva, que (quase) nenhum de nós, individualmente, se revê?
Fizemo-lo em co-criação, de forma inconsciente.
Como podemos sair disto?
Para ser sincero não sei. Como ‘inovador social’, como ‘criativo cultural’, como praticante de Desenvolvimento Regenerativo, de Possibility Management, da Teoria U e Teoria Integral, como pai, homem, pessoa por inteiro, comum, penso que a resposta terá que ser criada colectivamente.
As soluções, as respostas, vão resultar da aceitação do ‘não sei’, do desconhecido, através da experimentação em equipas, em co-criação, de forma consciente.Autor, a partir do Otto Scharmer
Dedico este livro aos meus descendentes, Afonso, Dinis e Inês.
“É proibida a entrada a quem não andar espantado de existir”
Vivemos um tempo de transformação. Os mundojogos que sustentam as nossas sociedades mostram sinais de esgotamento e de rotura, enquanto novas possibilidades emergem nos interstícios do presente. Entre a tradição e o futuro, a escassez e a regeneração, o individual e o coletivo, o interior e o exterior, encontra-se o desafio do tempo presente: como podemos reimaginar e recriar sociedades que cuidem do Bem-estar Individual, Bem-estar Colectivo, Bem-estar da Vida e da Terra, em Paz?
Esta trilogia (3 tomos) nasce desse questionamento e de um percurso pessoal de investigação-ação, de experimentação, de aprendizagem. Os três tomos, embora distintos nos seus propósitos, fazem parte de um mesmo movimento:
Tomo I: “No Caminho de Órion” é a jornada pessoal, um relato vivo da travessia pelo desconhecido, da transição entre diferentes formas de ver e Ser no Mundo. É um testemunho da transformação possível quando escolhemos conscientemente percorrer o caminho para Sociedades Regenerativas e para as Sociedades de Comuns;
Tomo II: “Mapa para as Sociedades Regenerativas e Sociedades de Comuns” propõe um mapa para navegar na direcção das Sociedades Regenerativas, apresentando mapas de pensamento, práticas e ferramentas para criar organizações e comunidades alinhadas com os princípios da Vida. E um mapa para as e Sociedades de Comuns, que se co-criam sobre as Sociedades Regenerativas.
Tomo III: “Portugal: A Primeira Sociedade de Comuns” enquadra essa visão no contexto histórico e cultural português, explorando a possibilidade de Portugal liderar um movimento global na direção das Sociedades de Comuns, suportado no seu desígnio espiritual.
Os diferentes ‘sistemas operativos’ das Sociedades, Tradicional, Mercado, Impacto e Regenerativa, serão introduzidos no tomo II capítulo 3. As Sociedades de Comuns no tomo II capítulo 10.
Estes tomos não pretendem trazer respostas definitivas, mas abrir espaços de possibilidade. Mais do que um destino final, apontam caminhos a serem explorados, práticas a serem experimentadas e histórias a serem contadas. São convites à experimentação, à ação-reflexão, à co-criação.
Seja qual for o ponto em que te encontras nesta jornada, que estas páginas possam servir de bússola, farol, fazer nascer novas perguntas, inquietações ou simples faísca para novas descobertas. Para te cumprires.
Para fechar esta introdução, quero explicitar o que entendo por ‘Paz’, por ‘inovação social transformativa’ e ‘colaboração criativa’, que informam o subtítulo deste livro.
‘Paz’ é um constructo complexo com muitas perspectivas. A que cultivo neste livro é experimental, i.e., vem da minha experiência de viver em Paz em Portugal desde 1971, como ilustra o Tomo I. De lidar com os desafios sociais, com a transformação social, com a evolução cultural num clima de ausência de guerra. De fazer parte da União Europeia, como projecto de Paz, de tolerância e respeito cultural, após 2 grandes guerras que devastaram o continente. Tivemos guerra na Europa, após a segunda guerra mundial, na Grécia, Irlanda do Norte, no País Basco, nos Balcãs, na Moldávia e na Ucrânia (a decorrer). E a direção foi a da resolução. Temos conseguido, como projecto Europeu, resolver estes desafios à Paz e alargar este sonho e realidade a cada vez mais povos. Sonho com o dia em que o estendemos a todo o Planeta. E o próximo passo é na Ucrânia. Esta direção histórica da humanidade e de Portugal será desenvolvida no Tomo III.
Por ‘inovação social transformativa’ estou a sublinhar a inovação social que transforma a forma como Somos Sociedade, os mapas mentais que usamos, como nos organizamos e o que valorizamos. Por exemplo, para além de cuidar de uma externalidade, a transformação é no sentido de a externalidade não ser criada em primeira instância; e ser uma oportunidade da evolução cultural. É a inovação social que experimentei com a João Sem Medo (ver anexo II.D) ou com as Organizações de Comuns (ver Tomo II capítulo 10). No Tomo II trataremos desta questão.
Por ‘colaboração criativa’ entendo o processo alquímico (campo de diálogo generativo como descreve Otto Scharmer) que acontece quando as pessoas transcendem os padrões inconscientes de controlo e competição, permitindo a emergência de espaços onde se navega o desconhecido, em segurança, em que a co-criação se torna um acto de evolução pessoal e coletiva, onde o novo acontece. É uma distinção e um conjunto de competências, que se cultivam no Possibility Management.


