4 Sistemas Operativos das Sociedades
As últimas e as próximas de... Marco de Abreu (Maio.2025)
Descendo o framework do iceberg, do Pensamento Sistémico, Otto Schamer, autor da Teoria U, caracteriza as três divisões (ao nível dos eventos), as 8 bolhas (ao nível dos padrões), bem como as 8 estruturas que as suportam. E, ao nível dos mapas mentais, identifica os 4 sistemas operativos das sociedades: tradicional (1.0), mercado (2.0), impacto (3.0) e regenerativas (4.0).
Figura: Iceberg das 3 divisões com os 4 sistemas operativos (Teoria U).
Cada uma destas sociedades representa um modelo de funcionamento e evolução da organização social e económica, indo de uma estrutura rígida e hierárquica (sociedade tradicional), passando pela competição económica (sociedade de mercado) e pela consciência do impacto social e ambiental (sociedade de impacto), até à regeneração ativa da vida e dos ecossistemas (sociedade regenerativa). De seguida faço um resumo de cada um destes sistemas operativos.
Figura: 4 sistema operativos das sociedades (Teoria U)
Sociedades Tradicionais
Consciência: tradicional.
Foco: Estabilidade, controlo e manutenção da ordem. Entradas e autoridade.
Modelo: Estruturas sociais hierárquicas e burocráticas.
Objetivo: Garantir segurança e continuidade através de normas e regras fixas.
Exemplos: Portugal no Estado Novo, Estruturas Militares
Ainda presentes com forte tendência a diminuir; muito presente nos países em desenvolvimento; talvez menos de 15% no mundo ocidental
Em Portugal o Estado Novo e a primeira década após o 25 de Abril
Hierarquia, comando e controlo, especialização do trabalho são nativos
A minha família e a escola foi onde vivi esta estrutura memética
Sociedades de Mercado
Consciência: EGO (focado em si próprio)
Foco: Crescimento económico, competitividade e maximização do lucro. Saídas e eficiência.
Modelo: Mercado livre, competição intensa, crescimento baseado na exploração de recursos e inovação tecnológica. Cria externalidades.
Objetivo: Expansão e obtenção de lucro, impulsionado por forças económicas e interesses acionistas.
Exemplos: Empresas modernas, Saúde Privada, Mercados de Capitais
Grande maioria no mundo ocidental; cerca de 50%
Em Portugal é formalizado com o primeiro Governo de Cavaco Silva
Exemplos em Portugal. Privatização dos bancos, media e demais industrias; a trabalhar na inovação casos como Beta-i, imatch
Balanced Score Card, Gestão por objectivos, marketing, comissões de vendas são nativos
A Safira foi como naveguei esta estrutura memética
Sociedades de Impacto
Consciência: Multistake-holder
Foco: Resolver problemas sociais e ambientais através de inovação e colaboração. Resultados e centrados no beneficiário.
Modelo: Organizações orientadas para a missão, responsabilidade social e ambiental, governação cooperativa, negociação entre múltiplos stakeholders. Redes em colaboração.
Objetivo: Criar valor social e ambiental, procurando equilíbrio entre economia e impacto positivo. Incorporar externalidades.
Exemplo: Cooperativas, empresas sociais, ONGs, Inovação e Empreendedorismo Social
Em desenvolvimento nos últimos cerca de 50 anos; é o emergente nos países ocidentais; os Países Nórdicos, Canadá, Holanda, Nova Zelândia, Escócia e Islândia são alguns exemplos na vanguarda; talvez em cerca de 30 % do mundo ocidental
Em Portugal ganha força com o primeiro governo de António Guterres
Exemplos em Portugal: Tese, IES, Portugal Inovação Social, IPAV, Impact Hub, Stone Soup,
Design Thinking, Sociocracia, Art-of-Hosting, 5P’s, Natural Step são nativas
A darwin e a João Sem Medo foi como vivi esta estrutura
Sociedades Regenerativas
Consciência: ECO-sistémica
Foco: Regeneração de sistemas ecológicos e sociais, colaboração e co-criação baseada em ecossistemas vivos.
Modelo: Governação distribuída, sistemas cooperativos, alinhados com os princípios naturais e ecológicos. Colaboração criativa.
Objetivo: Regenerar e sustentar ecossistemas sociais e ambientais de forma equilibrada e resiliente.
Exemplos: DAOs (Organizações Autónomas Descentralizadas), Ecoaldeias.
Emergente; exemplos de pequena escala; inovação dispersa; falta integração. Menos de 5%.
Em Portugal é liderado pelo movimento ambientalista e pelo movimento de evolução da consciência
Exemplos em Portugal: Tamera, Vale da Lama, Boom Festival, Biovilla, ten chi, Mertola Lab
Teoria U, Teoria Integral, Possibility Management e Desenvolvimento Regenerativo, Organizações Integrais são nativas
A João Sem Medo, Innovations for the Future, Fundação Terra Agora foi como comecei a explorar estas estruturas
Os países nordicos fizeram esta transformação, de Sociedades Tradicionais para mercado, para impacto, em cerca de 80 anos, talvez perto do ponto de transição entre a ‘primeira maioria’ (50%) e a ‘segunda maioria’, usando a Curva de Adoção da Inovação de Everett Rogers. Portugal fez em cerca de 50 anos, sendo que as Sociedades de Impacto ainda tem pouca expressão em Portugal, talvez perto do ponto de transição entre os ‘primeiros adeptos’ (16%) e a ‘primeira maioria’.
E os 4 sistemas operativos estão todos activos, presentes nas nossas sociedades, em interação uns com os outros, muitas vezes dentro de cada organização. E a transformação esta a acontecer, simultaneamente de:
Sociedades Tradicionais para Sociedades de Mercado (a decrescer)
Sociedades de Mercado para Sociedades de Impacto (a crescer) - foi aqui que o João Sem Medo se posicionou.
Sociedades de Impacto para Sociedades Regenerativas (a crescer) - é aqui eu o Innovations for the Future se posicionou ou A Fundação Terra Agora.
É uma forma de descrever a Era da Transformação.
Figura: Potencial sobreposição dos mundojogos dos 4 tipos de sistema operativo societal
Usando o framework dos três horizontes, nas Sociedades de Mercado (horizonte 1) o que há a fazer é trabalhar em melhorias incrementais, mudanças de comportamentos (melhorar o possível e segurar o barco), enquanto se investe na transição para as Sociedades de Impacto (horizonte 2). Aqui surge o investimento na inovação tecnológica, de processos, organizacional e governação para, incorporar as externalidades e ter retornos em várias eixos como o natural (ecologia), humano, social e financeiro, desta forma transformando os mundojogos a partir de dentro numa aventura multi-sectorial, multi-stackholder. As Sociedades Regenerativas (horizonte 3) necessitam de inovações que ainda não existem, muitas das quais não se perspectivam ainda. Precisamos experimentar, criar novos mapas e apoiar fortemente o trabalho dos pioneiros em todas as áreas.
(algumas) Entrevistas para ilustrar
Na transição das Sociedades de Marcado para as Sociedades de Impacto:
I4F Gameworld Builder Interview 0039 - Susana Freitas (D) - Lipor
I4F Gameworld Builder Interview 0033 - Carlos Gonçalves (O) - Vila Feliz Cidade (Casa Mendes Gonçalves)
Na zona de influência das Sociedades de Impacto:
I4F Gameworld Builder Interview 0092 - Joana Castro e Costa (M) - Leadership for Impact - Knowledge Center
I4F Gameworld Builder Interview 0060 - António Vasconcelos (M) - Natural Step em Portugal
I4F Gameworld Builder Interview 0046 - Cátia Curica (M) - Organii Cosméticos biológicos
Na transição para as Sociedades Regenerativas:
I4F Gameworld Builder Interview 0054 - Samuel Delesque (U) - Traditional Dream Factory, TDF
I4F Gameworld Builder Interview 0045 - Nita Barroca (V) - Projecto Novas Descobertas, Quinta Vale da Lama
I4F Gameworld Builder Interview #0027 - Maria Daniel (M) - Teoria U em Portugal
I4F Gameworld Builder Interview #0025 - Paulo Carvalho (M) - Value Flow
Nota a Entrevista da Cática Curica também é um bom exemplo de como mudar o foco na Sáude e Bem-estar nas Sociedades Regenerativas.
No link podem encontrar todas as entrevistas, a maioria das quais, nas duas últimas ‘categorias’.
AGENDA (2025)
Maio
Um dia e meio de… SOCIEDADES REGENERATIVAS, Sintra, 9 e 10 de Maio
Organizado por Diogo Cordeiro. Para mais informações ser o LINK.DIA ABERTO :: SAÚDE E BEM-ESTAR, Carcavelos, 17 de Maio, 10h às 22h, acesso livre
Organizado pela Comunidade 296. Para mais informações ver o LINK.Um dia de… EMPODERAMENTO EMOCIONAL, Funchal, 24 de Maio, 9h às 18h
Organizado por Duarte Gonçalves. Para mais informações ver o LINK.
Junho
Lançamento do LIVRO “A Emergência das Sociedades de Comuns”, Marco de Abreu, Feira do Livro de Lisboa, Junho
Organizado por Gabriel Simões. Para mais informações ser o LINK.Introdução às SOCIEDADES REGENERATIVAS, 23 a 28 de Junho, Online, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil
Organizado por Matheus Oliveira. Evento fechado a equipa. Para mais informações ver LINK
Julho
EMPODERAMENTO EMOCIONAL, S. Luís, Odemira, 26 e 27 de Julho
Organizado por Joel Barros. Para mais informações ver o LINK.
(os últimos) E SE…
E SE... as Universidades Portuguesas tivessem centros para as Sociedades Regenerativas ?
E SE… as Escolas fossem auto-organizadas, fossem constelações de equipas auto-organizadas ?
Outros “E SE…” podem ser vistos no link.
“E SE…” é um espaço no canal, onde crio possibilidades de experimentação (portais) para pessoas, famílias, equipas, organizações, comunidades poderem entrarem nas Sociedades Regenerativas e experimentarem modelos diferentes de colaboração, organização, financiamento, educação, bem-estar, …
É um espaço inspirado pelo livro E SE… do Rob Hopkins, co-fundador do Movimento Transição, que a Bambual Portugal publica em Português.







Dos melhores artigos que li nos últimos tempos e para os nossos tempos!! Obrigada Marco por trazeres esta visão de águia. Para mim é verdadeiramente "mind-blowing".